segunda-feira, 30 de maio de 2011

Atividades com aluno especial!

Relatório da atividade TA com o aluno
Professor-cursista: Morgânia Bezerra Machado
Formador: Edilma Lima e Renata de Oliveira


1. Aluno: Uma aluna do 10 ano do Ensino Médio, 15 anos, chamada Mônica Alencar Rocha, a qual possui deficiência visual.
2. Descrição da atividade
Como já dispunha do programa Dosvox, disponibilizado pelo curso, resolvi propor a aluna em questão a digitação do texto “A Biologia e sua importância na atualidade”, o qual foi trabalhado em sala de aula, com o objetivo de responder ao questionário proposto, o qual seria lido, explicado com a minha orientação. Além do texto, aproveitar o momento para apresentar o programa a aluna e ajudá-la no seu manuseio. Após esta etapa, instalei o Dosvox no computador pessoal da aluna.
3. Tecnologia Assistiva escolhida
→ Programa Dosvox.
4. Reflexão sobre a experiência:


Uma pessoa cega pode ter algumas limitações, as quais poderão trazer obstáculos ao seu aproveitamento produtivo na sociedade. Grande parte destas limitações podem ser virtualmente eliminadas através de dois elementos: uma educação adaptada à sua realidade e o uso de tecnologia para diminuir as barreiras
A grande dificuldade do aluno de nível médio cego é o acesso aos livros didáticos. Grande parte dos professores se utilizam exclusivamente do meio oral para transmissão de conhecimentos para os alunos e sua avaliação. A realização de trabalhos escolares, feita em Braille, e corrigida por um professor que não sabe Braille, é evitada. O resultado disso é um aluno mal formado, com graves erros de escrita e, por praticamente não ler, um distanciamento cultural intenso.
A aluna apresentou grande entusiasmo ao perceber como os programas falados poderiam facilitar sua vida, como ele orienta na prática da digitação e na leitura dos textos digitalizados.
Ao fazer uso do Dosvox, o aluno pode fazer seus trabalhos sendo facilmente compreendido pelo professor. É preciso disponibilizar o Dosvox à comunidade estudantil, em especial os equipamentos de scanner, o qual infelizmente não dispomos.
De inicio, a aluna apresentou alguma dificuldade de acesso a leitura. Sentiu-se mais segura, confiante a medida que manuseava, e nos intervalos, adorou os jogos do programa. Tal dificuldade de leitura, e fundamental no estudo, acompanha sempre o cego. Por exemplo, uma pessoa que tenha ficado cega, e que já tenha uma profissão, tem totalmente tolhido seu desenvolvimento profissional. O acesso a jornais impressos só é possível via uso de "ledores", termo que designa os leitores voluntários.
A aluna sonha em cursar Administração, e disse que “agora sente seu sonho mais possível, realizável...”.
A realização da atividade proposta a aluna foi mais pelo Dosvox, avalio que ela teve um rendimento muito maior do que nas aulas expositivas, teóricas, respondeu a atividade final de avaliação sem apresentar dificuldades maiores.
Lógico que possibilita uma independência para muitos cegos. No entanto, percebo que é necessário também inovar o que já existe.
O uso do computador na casa do aluno pode minorar alguns dos problemas, em especial a leitura dos trabalhos escolares, pena nem todos poderem ter a sua disposição. Pretendo implementar nas minhas de nível médio, não somente utilizá-lo para o preparo das aulas e exercícios.
O Dosvox pode ser visto como uma ferramenta sem a qual as coisas ficam muito mais difíceis para o deficiente visual. Entretanto, para que ele possa continuar a ser efetivamente importante, são necessárias ações continuadas e, também, que sejam aplicadas ao maior número de deficientes visuais do nosso país. Isso depende do esforço de todos: é um esforço social e político, nunca dissociado do esforço de desenvolvimento técnico.

sábado, 28 de maio de 2011

Subsídios para ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo






Introdução

   A educação na perspectiva escolar é uma questão de direitos humanos, e os indivíduos com deficiências devem fazer parte das escolas, as quais devem modificar seu funcionamento para incluir todos os alunos. 
Esta é a mensagem que foi claramente transmitida pela Declaração de Salamanca/Espanha(1994,Conferência Mundial Sobre Educação Especial, 
UNESCO) em defesa de uma sociedade para todos partindo do princípio fundamental de que todas as pessoas devem aprender juntos, independente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter.

   A política de inclusão  dos alunos na rede regular de ensino que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos, mas o propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim que a escola defina a responsabilidade criando espaço inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função, coloca-se a disposição do aluno.

     As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com suas comunidades.   A inclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola brasileira novos posicionamentos que implica num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes.

   A escola inclusiva é aquela que acomoda todos os alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras, sendo o principal desafio desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, uma pedagogia capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais , aquelas que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, as que estejam repetindo anos escolares, as que sejam forçadas a trabalhar, as que vivem nas ruas, as que vivem em extrema pobreza, as que são vítimas de abusos, as que estão fora da escola, as que apresentam altas habilidade/superdotação, pois a inclusão não aplica-se apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência.

   Portanto, este artigo pretende apresentar subsídios para uma a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo, pois percebi que a inclusão tem causado um certo impacto no meio escolar e com isso surgem muitas dúvidas quanto as ações pedagógicas inclusivas. Abordarei primeiramente, os elementos necessários para que um sistema escolar seja inclusivo e depois apresentarei o suporte necessário para a ação pedagógica inclusiva do professor , as adaptações curriculares.


SISTEMA ESCOLAR INCLUSIVO

   “As escolas inclusivas propõem um modo de se constituir o sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é estruturado em função dessas necessidades. A inclusão causa uma mudança na perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral.”(MANTOAN,1997,p.121)
   O desenvolvimento das escolas inclusivas, capazes de sustentar recursos educativos com sucesso para todos os alunos, passa necessariamente pela definição de uma ação educativa diferenciada dos mais variados contextos. E para que uma gestão seja diferenciada, com ações pedagógicas inclusivas  é preciso que a escola estabeleça uma filosofia baseada nos princípios democráticos e igualitários de inclusão, de inserção e a provisão de uma educação de qualidade para todos os alunos.
Para uma escola ser Inclusiva significa primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e o diretor deverá proporcionar a todas as crianças acesso igualitário a um currículo básico, rico e uma instrução de qualidade. Seguem-se algumas estratégias para inclusão no cotidiano escolar:
1.      Promover objetivando práticas mais cooperativas e menos competitivas nas sala de aulas e na escola;
2.      Estabelecer rotinas na sala de aula e na escola em que todos recebam apoio necessário para participarem de forma igual e plena;
3.      Garantir que toda as atividades da sala de aula tenham acomodações e a participação de todos ativamente, inclusive daqueles que apresentam necessidades educacionais especiais;
4.      Infundir valores positivos no sistema escolar de respeito, solidariedade, cooperação etc.
5.      É preciso desenvolver rede de apoio, sendo um grupo de pessoas que reúnem-se para debater, podendo ser constituída por alunos, diretores, pais, professores, psicólogos, terapeutas e supervisores para resolverem problemas, trocarem idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis.;
6.      Desenvolver uma assistência técnica organizada e contínua que deve incluir:      
·        os funcionários especializados para atuarem como consultores e facilitadores;
·        Uma biblioteca prontamente acessível com materiais atualizados, recursos em vídeo e áudio que enfoquem a reforma da escola e as práticas educativas inclusivas;
·        Um plano abrangente, condizente e contínuo de formação em serviço;
·        Oportunidades para educadores que apoiam os alunos a reunirem-se para tratarem de questões comuns e assim ajudarem-se mutuamente no desenvolvimento criativo de novas formas de aprendizagens;
·        Oportunidades para os professores aumentarem e aperfeiçoarem suas habilidades, observando, conversando e moldando suas práticas com colegas com mais experiência no apoio aos alunos no regular;
·        Oportunidades para educadores novos em práticas inclusivas de visitarem outras escolas e distritos, que tenham experiências e implementação novas na educação inclusiva em conjunto com esforços de reformas da escola.

7.      Os educadores devem desenvolver a dimensão da flexibilidade para responderem aos desafios de apoiarem os alunos com dificuldades para aprender na participação das atividades da escola, com o compromisso de fazer o ensino inclusivo acontecer, com espontaneidade e a coragem de assumirem os riscos, trabalhando em equipes, desenvolvendo novas habilidades e promovendo uma educação de qualidade a todos os alunos;
8.      Examinar e adotar  várias abordagens de ensino, para trabalhar com alunos com diferentes níveis de desempenho, reavaliando as práticas e determinando as melhores maneiras possíveis de promover a aprendizagem ativa para os resultados educacionais desejáveis;
9.      Comemorar os sucessos e aprender com os desafios, sendo importante que os sistemas escolares cultivem a capacidade dos membros do seu pessoal de pensar criativamente, pois assim respondem aos desafios que inevitavelmente surgem quando as novas oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento apresentam-se;
10.   Os educadores estarem dispostos a romperem paradigmas e manterem-se em constante mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas  e com qualidades.

   O sistema escolar para construir uma comunidades escolar inclusiva é preciso o planejamento e o desenvolvimento do currículo que conduza aos resultados esperados pelo Estado e pelos setores educacionais. Preparar equipe para trabalhar de maneira cooperativa e compartilhar conhecimentos para melhorias  para um progresso contínuo. Investimento em tecnologia para dar apoio, servindo como um importante dispositivo da comunicação para conectar a escola à comunidade e o ensino dos resultados esperados, além de grupos de professores atuando como planejadores, instrutores e avaliadores de programas que conduzam  a uma ação pedagógica inclusiva.
   A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. Os comportamentos inclusivos dentro da escola requer comprometimento e ações inclusivas, por isso partiremos para uma breve reflexão sobre essas práticas:
·        A escola parte da premissa de que cada aluno tem o direito a freqüentar à sala de aula independente de sua deficiência;
·        Está plenamente comprometida em desenvolver uma comunidade que se preocupe em fomentar o respeito mútuo e o apoio em equipe escolar, os pai e os alunos;
·        A diretoria cria um ambiente de trabalho no qual os professores são apoiados;
·        Os alunos com necessidades educacionais especiais são estimulados a participarem plenamente da escola, inclusive da atividades extracurriculares;
·        Está preparada para modificar os sistemas de apoio para os alunos à medida  que as suas necessidades mudem;
·        Considera os pais uma parte plena da comunidade escolar, aceitando sugestões e a sua participação;
·        Proporciona aos alunos com necessidades educacionais especiais um currículo escolar pleno e flexível sujeito a mudanças caso seja necessário.


SUPORTE PARA AÇÃO PEDAGÓGICA DO PROFESSOR:

·        ADAPTAÇÕES CURRICULARES

   As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e tem como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos ,critérios, procedimentos de avaliações, atividades, metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos.
   Essas adaptações  visa promover o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, tendo como referência a elaboração do projeto pedagógico e a implementação de práticas inclusivas no sistema escolar e essas adaptações pressupõem-se que se realize quando necessário, para torná-lo apropriado às peculiaridades dos alunos com necessidades especiais. Nessas circunstâncias, as adaptações curriculares implicam a planificação pedagógica e a ações docentes fundamentadas em critérios que definem:
·        Como e quando aprender;
·        que o aluno deve aprender;
·        Que formas de organização do ensino são mais eficientes para o processo de aprendizagem;
·        Como e quando avaliar o aluno.

   As adaptações relativas aos objetivos e conteúdos dizem respeito:

·        Priorização de áreas ou unidades de conteúdos que garantam funcionalidade e que sejam essenciais e instrumentais para as aprendizagens posteriores. Ex. habilidades de leitura e escrita, cálculos etc.
·        Priorização de objetivos que enfatizam as capacidades e habilidades básicas de atenção, participação e adaptabilidade do aluno. Ex. desenvolvimento de habilidades sociais, de trabalho em equipe, de persistência na tarefa etc.
·        À sequenciação pormenorizada de conteúdos que requeiram processos gradativos de à maior complexidade da tarefas, atendendo à seqüência de passos, à ordenação da aprendizagem etc.
·        Ao reforço da aprendizagem e à retomada de determinados conteúdos para garantir o seu domínio e a sua consolidação;
·        À eliminação de conteúdos menos relevantes, secundários para dar enfoque mais intensivo e essenciais no currículo.

   As adaptações avaliativas dizem respeito:

·        À seleção de técnicas e instrumentos utilizados para avaliar o aluno, modificando-os de modo a considerar, na consecução, a capacidade do aluno em relação ao proposto para os demais colegas;
·        Não abandonar os objetivos definidos para o grupo, mas acrescentar aqueles objetivos complementares curriculares especificas que minimizam as dificuldades concernentes à deficiência do aluno.

   As adaptações nos procedimentos didáticos e nas atividades de ensino-aprendizagem referem-se ao como ensinar os componentes curriculares. Dizem respeito a:

·        Situar os alunos nos grupos com os quais possa trabalhar melhor;
·        Propiciar o apoio físico, visual, verbal e gestual ao aluno impedido, temporária ou permanentemente, de modo a facilitar as atividades escolares e o processo avaliativo. O apoio pode ser oferecido pelo professor regente, pelo professor de sala de recursos, pelo professor itinerante ou pelos próprios colegas.

   Algumas características curriculares facilitam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, dentre elas:

·        Atinjam o mesmo grau de abstração ou de conhecimento, num tempo determinado;
·        Desenvolvidas pelos demais colegas, embora não o façam com a mesma intensidade, em necessariamente de igual modo ou com a mesma ação e grau de abstração.

   As adaptações curriculares não devem ser entendidas como exclusivamente individual ou uma decisão que envolve apenas o professor e o aluno, pois realizam-se em três níveis:

·        No âmbito do projeto pedagógico(currículo escolar);
·        No currículo desenvolvido na sala de aula;
·        No nível individual.

   Para que os alunos com necessidades educacionais especiais possam participar integralmente em um ambiente rico de oportunidades educacionais com resultados favoráveis, alguns aspectos precisam ser considerados, destacando-se entre eles:

·        A preparação e dedicação da equipe educacional e dos professores;
·        O apoio adequado e recursos especializados, quando forem necessários;
·        As adaptações curriculares e de acesso ao currículo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essas estratégias para a ação  pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes , mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, tudo num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a  diversidade está se tornando mais norma do que exceção.
 Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, pois essa formação não é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão, porque a inclusão não traz respostas pronta, não é uma multi  habilitação para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação em que o educador irá olhar seu aluno de uma outra  dimensão tendo assim acesso as peculiaridades desse aluno, entendendo e buscando o apoio necessário.
Finalizando, cabe  refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois se olharmos em nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos comportamentos, nas ações etc. e  as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou doença, mas de equidade humana.

  Magalis Bésser Dorneles Schneider
REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS

STAINBACK, S. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artes Médicas Sul,1999.
MORGADO, J. A relação Pedagógica: Diferenciação e inclusão. Lisboa: Editorial Presença,1999.
    _____________. Lei  de  Diretrizes Nacionais para a Educação Especial Na Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001.
SASSAKI, R. K. Inclusão. Rio de Janeiro: WVA, 1997.

O QUE É EDUCAÇÃO INCLUSIVA ?


A chamada Educação Inclusiva teve início nos Estados Unidos através da Lei Pública 94.142, de 1975 e, atualmente, já se encontra na sua segunda década de implementação.

  Há em todo Estados Unidos o estabelecimento de programas e projetos dedicados à Educação Inclusiva:

  1) O departamento de Educação do Estado da Califórnia iniciou uma política de suporte às escolas inclusivas já implantadas;
  2) O Vice- Presidente Al Gore criou uma Supervia de Informática direcionada à uma política de telecomunicações baseada na ampliação da rede de  informações para  todas as escolas, bibliotecas, hospitais e clínicas.
  3) Há um cruzamento entre o movimento da Educação Inclusiva  e a busca de uma escola de qualidade para todos;
  4) Há propostas de modificações  curriculares visando a implantação de programas mais adaptados às necessidades específicas das crianças portadoras de deficiência. Tendo sido dada uma ênfase especial no estabelecimento dos componentes de auto-determinação da criança portadora de deficiência. As equipes técnicas das escolas também sido trabalhadas para fornecer um atendimento mais adequado ao professor de classe comum.
  5) Há o acompanhamento, através de estudos e pesquisas, a respeito dos sujeitos que passaram por um processo de educação inclusiva. Eles tem sido observados através da análise de sua rede de relações sociais,  atividades de laser,  formas de participação na comunidade, satisfação pessoal,etc. Um dos maiores estudos de follow-up é o da Universidade de Minnesota que apresenta um Estudo Nacional de Transição Longitudinal.
  6) Também tem sido acompanhados os Serviços dos Programas de Educação que trabalham com a Educação Inclusiva.
  7) Boa parte dos  estados norteamericanos estão aplicando a Educação Inclusiva : Estado de New York, Estado de Massachussets, Estado de Minnesota, Estado de Daytona, Estado de Siracusa, Estado de West Virgínia, etc.
  Fora dos Estados Unidos a situação também não é diferente. O mais conhecido centro de estudos  a respeito de Educação Inclusiva é o CSIE( Centre for Studies on Inclusive Education ) da Comunidade Britânica, sediado em Bristol. É dele que tem partido os principais documentos a respeito da área da Educação Especial: 1. O CSIE - International Perspectives on Inclusion; 2. O Unesco Salamanca Statement(1994); o UN Convention on the Rights of the Child(1989); o UN Standard Rules on the Equalisation of Opportunities for Persons with Disabilities(1993).
  Um dos documentos mais importantes atualmente é o Provision for Children with Special Educational Needs in the Asia Region que inclui os seguintes países: Bangladesh, Brunei, China, Hong Kong, Índia, Indonésia, Japão, Coréia, Malásia, Nepal, Paquistão, Filipinas, Singapura, Sri Lanka e Tailândia. Mas, há programas em todos os principais países do mundo: França, Inglaterra, Alemanha, México, Canadá, Itália, etc.

2. A Escola Inclusiva

  Por EDUCAÇÃO INCLUSIVA SE ENTENDE O PROCESSO DE INCLUSÃO DOS PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS OU DE DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM NA  REDE COMUM DE ENSINO EM TODOS OS SEUS GRAUS. Da pré-escola ao quarto grau. Através dela se privilegiam os projetos de escola, que apresenta as seguintes características:
  1. Um direcionamento para a Comunidade - Na escola inclusiva o processo educativo é entendido como um processo social, onde todas as crianças portadoras de necessidades especiais e de distúrbios de aprendizagem  têm o direito à  escolarização o mais próximo possível do normal. O alvo a ser alcançado é a integração da criança portadora de deficiência na comunidade.
  2. Vanguarda - Uma escola inclusiva é uma escola líder em relação às demais. Ela se apresenta como a vanguarda do processo educacional. O seu objetivo maior é fazer com que a escola atue através de todos os seus escalões para possibilitar a integração das crianças que dela fazem parte.
  3. Altos Padrões - há em relação às escolas inclusivas altas expectativas de desempenho por parte de todas as crianças envolvidas. O objetivo é fazer com que as crianças atinjam o seu potencial máximo. O processo deverá ser dosado às necessidades de cada criança.
  4. Colaboração e cooperação - há um privilegiamento das relações sociais entre todos os participantes da escola, tendo em vista a criação de uma rede de auto-ajuda.
  5. Mudando papéis e responsabilidades - A escola inclusiva muda os papéis tradicionais dos professores e da equipe técnica da escola. Os professores tornam-se mais próximos dos alunos, na captação das suas maiores dificuldades. O suporte aos professores da classe comum é essencial, para o bom andamento do processo de ensino-aprendizagem.
  6. Estabelecimento de uma infraestrutura de serviços - gradativamente a escola inclusiva irá criando uma rede de suporte para superação das suas maiores dificuldades. A escola inclusiva é uma escola integrada à sua comunidade.
  7. Parceria com os pais - os pais são os parceiros essenciais no processo de inclusão da criança na escola.
  8. Ambientes educacionais flexíveis - os ambientes educacionais tem que visar o processo de ensino-aprendizagem do aluno.
  9. Estratégias baseadas em pesquisas - as modificações na escola deverão ser introduzidas a partir das discussões com a equipe técnica, os alunos , pais e professores.
  10. Estabelecimento de novas formas de avaliação - os critérios de avaliação antigos deverão ser mudados para atender às necessidades dos alunos portadores de deficiência.
  11. Acesso - o acesso físico à escola deverá ser facilitado aos indivíduos portadores de deficiência.
  12. Continuidade no desenvolvimento profissional da equipe técnica - os participantes da escola inclusiva deverão procurar dar continuidade aos seus estudos, aprofundando-os.


3. O estabelecimento dos suportes técnicos

  Deverão ser privilegiados os seguintes aspectos na montagem de uma política educacional de implantação da chamada escola inclusiva:
  1. Desenvolvimento de políticas distritais de suporte às escolas inclusivas;
  2. Assegurar que a equipe técnica que se dedica ao projeto tenha condições adequadas de trabalho.
  3. Monitorar constantemente o projeto dando suporte técnico aos participantes, pessoal da escola e público em geral.
  4. Assistir as escolas para a obtenção dos recursos necessários à implementação do projeto.
  5. Aconselhar aos membros da equipe a desenvolver novos papéis para si mesmos e os demais profissionais no sentido de ampliar o escopo da educação inclusiva.
  6. Auxiliar a criar novas formas de estruturar o processo de ensino-aprendizagem mais direcionado às necessidades dos alunos
  7. Oferecer oportunidades de desenvolvimento aos membros participantes do projeto através de grupos de estudos, cursos, etc.
  8. Fornecer aos professores de classe comum informações apropriadas a respeito das dificuldades da criança, dos seus processos de aprendizagem, do seu desenvolvimento social e individual.
  9. Fazer com que os professores entendam a necessidade de ir além dos limites que as crianças se colocam,  no sentido de levá-las a alcançar o máximo da sua potencialidade. 
  10. Em escolas onde os profissionais tem atuado de forma irresponsável, propiciar formas mais adequadas de trabalho. Algumas delas podem levar à  punição dos procedimentos injustos.
  11. Propiciar aos professores novas alternativas no sentido de implementar formas mais adequadas de trabalho.

4.O conceito de Inclusão

  A inclusão é :
  - atender aos estudantes portadores de necessidades especiais na vizinhanças da sua residência.
  -  propiciar a ampliação do acesso destes alunos às classes comuns.
  - propiciar aos professores da classe comum um suporte técnico.
  - perceber que as crianças podem aprender juntas, embora tendo objetivos e processos diferentes
  - levar os professores a estabelecer formas criativas de atuação com as crianças portadoras de deficiência
  - propiciar um atendimento integrado ao professor de classe comum

5. O conceito de inclusão não é

  - levar crianças às classes comuns sem o acompanhamento do professor especializado
  - ignorar as necessidades específicas da criança
  - fazer as crianças seguirem um processo único de desenvolvimento, ao mesmo tempo e para todas as idades
  - extinguir o atendimento de educação especial antes do tempo
  - esperar que os  professores de classe regular ensinem as crianças portadoras de necessidades especiais sem um suporte técnico.

6. Diferenças entre o princípio da normalização e da inclusão

  O princípio da normalização diz respeito a uma colocação seletiva do indivíduo portador de necessidade especial na classe comum. Neste caso, o professor de classe comum não recebe um suporte do professor da área de educação especial. Os estudantes do processo de normalização precisam demonstrar que são capazes de permanecer na classe comum.
  O processo de inclusão se refere a um processo educacional que visa estender ao máximo a capacidade da criança portadora de deficiência na escola e na classe regular. Envolve fornecer o suporte de serviços da área de Educação Especial através dos seus profissionais. A inclusão é um processo constante que precisa ser continuamente revisto.


Profa. Dra. Leny Magalhães Mrech
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo